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21/08/2017

Resenha: Corte de Névoa e Fúria - Sarah J. Maas




Título: Corte de Névoa e Fúria
Série: Corte e Espinhos e Rosas (Livro 2)
Autor(a): Sarah J. Maas
Tradutor(a): Mariana Kohnert
Editora: Galera Record
Páginas: 658 
Ano de lançamento: 2016


Sinopse: "O aguardado segundo volume da saga iniciada em Corte de espinhos e rosas, da mesma autora da série Trono de vidro. Nessa continuação, a jovem humana que morreu nas garras de Amarantha, Feyre, assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Seu coração, no entanto, permanece humano. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, ela se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que se sente mais plena? Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte e ameaça o mundo de humanos e feéricos."

Pode conter spoiler do livro anterior, recomendo que leia a resenha de Corte de Espinhos e Rosas antes! 

Em "Corte de Névoa e Fúria" finalmente vamos saber como os acontecimentos de Sob a Montanha afetaram a vida de Feyre. Derrotando Amarantha e conseguindo libertar o povo de Prythian da maldição, Feyre morreu e precisou ser refeita pelas mãos dos sete Grão- Feéricos, ou seja, renasceu e se tornou imortal. 


Voltando à Corte Primaveril, Feyre tenta se readaptar à vida ao lado de Tamlin. Assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Mas seu coração permanece humano, e incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, Grão Senhor da Corte Noturna, acorda todas as noites com as lembranças, e definhando, coloca tudo que houver em seu estômago para fora.

"Eu era a assassina de inocentes e a salvadora de uma terra."

Cansada de ser apenas uma Grã-Feérica, Feyre quer ajudar Tamlin e seu reino a se reerguerem, porém, ele se tornou controlador e possessivo, e prefere que a mesma fique em segurança dentro de casa na presença da Grã-Sacerdotista Ianthe terminando os preparativos para o casamento. Entretando,  não percebe que isso está acabando com a vida de Feyre , e ela não é mais a mesma. Feyre se desfez, e com isso, a garota ingenua que precisava de proteção morreu. O que deveria se sua casa virou sua prisão. 

"Tamlin me dera tudo o que eu precisava para me tornar quem era, me sentir segura, e, quando conseguiu o que quis, quando conseguiu o poder de volta, as terras de volta... parou de tentar. Ainda era bom, ainda era Tamlin, mas estava simplesmente... errado."

“Amor; amor era um bálsamo, tanto quanto um veneno.”

Além disso, depois de três meses, Rhysand, ainda não cobrou seu pacto com Feyre, em que ela terá de passar uma semana de cada mês com ele em suas terras. No entanto, em seu casamento, Rhys aparece para reivindicar o trato feito e Feyre foi levada em seus braços para cumprir a primeira semana. E quando ela novamente é obrigada a tomar uma difícil decisão, em nome de sua própria sobrevivência, descobre que quem a salva é o mesmo que a impede de definhar por completo. 

"- Você mandou aquela música para minha cela. Por quê? 
A voz de Rhysand estava rouca. 
- Porque você estava se partindo. E eu não pude encontrar outra forma de salvá-la."

Acreditando que será torturada de alguma forma na Corte de Rhysand, exige saber qual será seu dever durante a semana, e a única exigência de Rhys é: Feyre vai aprender a ler. Após a volta para a Corte primaveril, ainda se sentia sozinha e deprimida, o que não resultou em coisas boas e firmou ainda mais sua ligação com Rhys, que a levou em uma nova jornada rumo à liberdade e ao amor verdadeiro. 

Rhys a apoia e acredita em seu melhor. Conta-lhe o tamanho de sua importância para impedir a guerra que esta por vir, a ensina, guia, e a faz abrir os olhos para todo o seu potencial em poder. Novas descobertas são feitas e fazem Feyre olhar ao seu redor com outros olhos. Culturas até então desconhecidas, são reveladas assim como verdades. E amizades são feitas. 

“Alívio irrompeu por meu corpo, […] até que eu sentisse e visse e cheirasse aquele laço entre nós, até que nossos cheiros se mesclassem, e eu era dele e ele era meu, e éramos o início, o meio e o fim. Éramos uma canção cantada desde a primeira brasa de luz no mundo.”

Rhysand passo a passo, vai conquistando a confiança de Feyre, a amizade, a atenção, o carinho e o amor. E vemos Feyre retribuir pouco a pouco toda essa atenção e respeito, tentando animá-lo quando está desabando. A vemos ficar ao lado dele quando Rhys tem pesadelos e tentar fazê-lo lembrar que ele não é o vilão que todos acham que é. Conhecemos membros de seu Círculo Íntimo: Morrigan/Mor, Amren, Cassian e Azriel. Que servem à ele e à sua corte, mas além de tudo, são sua família. Feyre fica próxima de cada um deles, inclusive de Rhys, e é ao lado deles na Corte Noturna que encontra um lar e se sente finalmente em casa. 

"- Amo meu povo e minha família. Não pense que eu não me tornaria um monstro para protegê-los."

Morrigan (Mor para os íntimos), é belissíma, simpática, prima de Rhys e e governa a Corte dos Pesadelos por ordem do mesmo. Amren não sabemos de fato o que ela é e não nos foi explicado, sabemos apenas que deve ser temida e sua lealdade é totalmente para o seu Grão-Senhor. Cassian, é o guerreiro illyriano que comanda os exércitos de Rhysand, um bastardo poderoso, sarcástico, e que acaba com qualquer um que faça algo de que ele não goste. Azriel é o mestre-espião de Rhys, silencioso, controla as sombras e protege sua família acima de tudo. Conhecemos também um pouco mais das irmãs de Feyre: Nestha e Elain. Porém, terão de ler o livro para descobrir se quiserem evitar spoilers.

"- Há a escuridão que assusta, a escuridão que acalma, a escuridão do descanso. Há a escuridão dos amantes, a escuridão dos assassinos. Ela se torna o que o portador deseja que seja, precisa que seja. Não é completamente ruim ou boa."

A escrita de Sarah J. Maas segue fluida e instigante. A obra tem quase setecentas páginas e a gente nem percebe elas passando, e quando a história acaba, pedimos por mais. Continua sendo narrado em primeira pessoa, sob a perspectiva de Feyre. E falando em Feyre, ela decidiu se colocar a frente, decidiu que ninguém além dela tem direito de escolher por ela e que pode conseguir tudo que desejar. Ela se conheceu muito mais nesse livro, aceitou seus erros e com eles aprendeu, cresceu e amadureceu. O melhor de tudo que ela não se fechou por conta de magoas do passado, ela se curou.

“Eu não era um bicho de estimação, não era uma boneca, não era um animal. Era uma sobrevivente e era forte. Não seria frágil ou indefesa de novo. Não seria, não poderia ser destruída. Domada.”

Rhysand é outro personagem complexo. Ele mascara sua dor e seus traumas atrás do horror que as histórias contam sobre ele, porém, o Grão-Senhor da Corte Noturna é uma das pessoas mais doces que conhecemos. Intenso e arrebatador, Rhys é um homem maculado pelas escolhas do passado e sacríficos que foi forçado a fazer, um verdadeiro redemoinho de emoções poderosas. Mesmo sob o ponto de vista de Feyre, somos capazes de encontrar pontos frágeis que o Senhor da Corte Noturna só mostra para ela, e que contribuem para  uma relação inquebrável entre os dois. 

“Há dias bons e ruins para mim... mesmo agora. Não deixe que os dias ruins vençam.”

Sobre o romance, Sarah arrasou ao construí-lo nesse tomo. Aos poucos, a autora foi desconstruindo o laço entre Feyre e Tamlin, apontando todos os defeitos do Grão-Senhor e nos fazendo (EU) odiá-lo, para então Rhys entrar no contexto e mostrar o seu lado que arranca suspiros. Muitas reviravoltas são postas em jogo, e Sarah mostra que não tem medo de chocar o leitor (RAINHA DA FANTASIA, SIM). A partir do momento em que são apresentados os dois lados da história, já sabemos qual é o certo e não tem discussão. A autora soube trabalhar muito bem as nuances dos personagens quebrados, assim como construiu momentos arrebatadores com cenários deslumbrantes e uma mitologia rica e fascinante.

“Quero que saiba que estou quebrada, e me curando, mas cada pedaço de meu coração pertence a você.”

É um livro repleto de aventura, romance, ação, reviravoltas, cenários ainda mais belos, personagens profundos, marcantes e envolventes, e com uma história de tirar o fôlego e partir o coração. Todos os novos personagens foram apresentados extraordinariamente e de forma alguma ficaram confusos. É incrível como a autora consegue abordar temas extremamente importantes como uma relação abusiva, autodescoberta e autovalorização, dentro de uma fantasia. O final foi completamente arrebatador e chocante! E mais uma vez nos deixou ansiosos para o próximo volume. Surpreendente é pouco e eu não consigo encontrar mais palavras para descrever esse livro. 

“Aquele era meu lar. Aquele era meu povo. Se eu morresse defendendo-os, defendendo aquele pequeno lugar no mundo onde a arte florescia... Então, que assim fosse. E me tornei escuridão, e sombra, e vento.”

Quanto à edição física, a capa segue o padrão da primeira e é lindíssima  (por mais que muitas pessoas digam o contrário). A diagramação é simples, as páginas são amareladas e a fonte é grande. A revisão que deixou um pouco a desejar, pois encontrei alguns errinhos, porém, relevantes.

Sarah J. Maas simplesmente fez dessa uma das fantasias que já tive a oportunidade de ler. Entrou para a lista dos favoritos com nota máxima sem nem pensar duas vezes. 


Espero que tenham gostado e me contem aqui se já leram ou se pretendem. 
Um beijo e um queijo ;*

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