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29/07/2017

Resenha: Corte de Espinhos e Rosas - Sarah J. Maas



Título: Corte de Espinhos e Rosas 
Série: Corte e Espinhos e Rosas (Livro 1)
Autor(a): Sarah J. Maas
Tradutor(a): Mariana Kohnert
Editora: Galera Record
Páginas: 404 
Ano de lançamento: 2015

Onde comprar: SaraivaSubmarino e Lojas Americanas

Sinopse:  "Em Corte de Espinhos e Rosas, um misto de A Bela e A Fera e Game of Thrones, Sarah J. Maas cria um universo repleto de ação, intrigas e romance. Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira que ela só conhecia através de lendas , a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la... Ou Tamlin e seu povo estarão condenados."



Corte de Espinhos e Rosas é narrado em primeira pessoa por Feyre, a caçula de um lar falido graças à inadimplência do pai, que mora somente com ele e suas duas irmãs, desde que perdeu sua mãe ainda criança. Enquanto seu pai lamenta por sua condição miserável e as irmãs só sabem reclamar e desejar o luxo de volta, Feyre se encontra desesperada para sobreviver e caça todos os dias na floresta garantindo comida na mesa.

O reino feérico é temido e ao mesmo tempo odiado pelo reino humano. Uma muralha invisível foi erguida logo após a guerra que libertou os humanos da escravidão, um tratado foi firmado, e os povos se separaram, fazendo assim dois mundos coexistirem. Mas é quando Feyre encontra um lobo na floresta, e desconfiando que possa ser um feérico o mata (graças ao ódio que construiu durante os anos) que o tratado vem à tona e as consequências podem ser estrondosas.

"Houve um tempo - há muito tempo, e durante milênios antes disso - em que éramos escravos dos senhores Grão-Feéricos. Houve um tempo em que construímos para eles gloriosas e extensas civilizações, com nosso sangue e suor, construímos templos para os deuses selvagens. Houve um tempo em que nos rebelamos, em todas as nossas terras e territórios. A Guerra fora tão sangrenta, tão destrutiva, que foi preciso que seis rainhas mortais oferecessem um Tratado para que o massacre terminasse dos dois lados e para que a muralha fosse construída: o Norte do nosso mundo foi concedido aos Grão-Feéricos e aos feéricos, que levaram sua magia com eles; o Sul ficou para nós, mortais covardes, eternamente forçados a tirar o sustento da terra."


Uma vida deve ser paga por outra. Um ser bestial bate à sua porta e clama pela vida que Feyre tirou. A jovem sabe que seu destino está selado e não terá como fugir. Como retribuição pelo sangue derramado, a fera lhe dá duas opções: morrer ou passar para o outro lado da muralha, onde viverá o resto de seus dias em Prythian, na Corte Primaveril. 

Presa a um lugar que sempre odiou, cercada por criaturas fantásticas, assustadoras, e lindas, Feyre vê sua realidade despencar num mar de incertezas conforme confronta as verdades que sempre acreditou. Onde estariam os monstros que lhe contaram? Passa a conhecer Tamlin e seu povo sem nunca ver seus rostos por completo, e a entendê-los sem saber o que os deixou assim. Ela encontra humanidade nas criaturas mágicas, e uma vida onde ela possa realmente viver, já que seus sonhos resumiam-se a casar as irmãs para ter um tempo para si. Mas é na Corte Primaveril que pela primeira vez, pôde observar o mundo sem se preocupar. Porém, nem tudo são flores, monstros e criaturas horrendas estão à espreita nos bosques para atacá-la, e feéricos sombrios estão se erguendo em cantos longínquos do reino.

"Meu mundo inteiro se restringiu ao toque de seus lábios em minha pele. Tudo além deles, além de Tamlin, era um vazio de escuridão e luar."

Mistérios são desvendados e segredos inimagináveis revelados. Todo o reino de Prythian vive sob uma maldição que tem se alastrado e pode chegar nas terras humanas em forma de peste, os feéricos estão presos a máscaras que não podem tirar, e como se não bastasse existe uma rainha má, Amarantha, que deseja vingança e poder, quer conquistar não apenas as terras feéricas, mas as humanas também, e não medirá esforços, maldade ou crueldade para conseguir tais objetivos.

Além dos protagonistas, Feyre e Tamlin, Rhysand e Lucien roubam a cena sempre que aparecem. Fazendo com que eu não consiga decidir com quem eu gostaria que ela ficasse: Tamlin, Lucien ou Rhys. Por mim, podia dividir os três.

Rhysand é o Grão-Senhor da Corte Noturna. Nasceu e cresceu nas sombras, extremamente poderoso e inquebrável. Faz parte dos súditos de Amarantha e tem seus planos para deixar de ser parte dela. Extremamente perigoso e sexy, ele possui um humor afiado e uma presença marcante, e nos faz querer saber o seu passado, e entender o motivo de parecer não sentir nada ainda que percebamos que ele está sentindo mais do que todos. 

Lucien é o melhor amigo de Tamlin e também tem o rosto coberto por uma máscara. Tudo o que sabemos sobre ele é que é cruel, frio, extremamente irritante, possui uma cicatriz no rosto e um olho faltando. Bastante marcante por suas emoções trincadas e por não ter travas na língua quando o assunto é colocar Feyre em seu devido lugar. Sua história é de partir o coração.

O romance entre Feyre e Tamlin é intenso, ela conhece os defeitos e o poder dele, mas ao mesmo tempo conhece seu coração e derruba barreiras que o mesmo impôs. Aqui temos uma protagonista forte, Feyre tem defeitos e preconceitos, o que não torna mais fácil amá-la, mas na medida em que amadurece, amadurecemos junto, entendendo-a e aceitando-a como é. Sendo humana está propensa a erros, mas falha e aprende as lições, aceita o novo e desconhecido, e se entrega a uma paixão avassaladora. O crescimento de Feyre é o ponto alto do livro. A parte feérica da história é poderosa, misteriosa e muito incrível. Amei o reino, as histórias e o passado envolvendo a guerra entre povos. Em determinado momento, chegamos até o motivo pelo qual a praga foi lançada sobre a corte primaveril e o motivo de Feyre ser tão especial para Tamlin.

"Era Tamlin, mas não era. Na verdade, era o Tamlin com quem eu tinha sonhado. Sua pele reluzia com um brilho dourado, e, ao redor de sua cabeça, um círculo de luz do sol resplandecia. E os olhos de Tamlin... Não eram apenas verdes e dourados, mas de todos os tons e variações imagináveis, como se cada folha da floresta tivesse escorrido e formado um único tom."

O ritmo da narrativa é bem desnivelado, as coisas começam bem, esfriam no meio do livro, mas melhoram (e muito) na reta final, tornando-se impossível interromper a leitura, e trazendo um fim surpreendente. A diagramação conta com galhos a todo início de capítulo, as páginas são amareladas e a fonte é grande, ótimo para ler. A revisão deixou um pouco a desejar, já que encontrei alguns errinhos bobos durante a leitura, mas é recompensado pela capa aveludada e de incrível combinação de cores, que possui arabescos remetentes a fantasia e delicadeza dos feéricos. Tem tudo a ver com a história e deixa a estante ainda mais bonita. 

"- Porque sua alegria humana me fascina, o modo como vivencia as coisas em sua curta existência, tão selvagem e intensamente e tudo de uma vez, é… hipnotizante. Sou atraído por isso, mesmo quando sei que não deveria, mesmo quando tento não ser."

Como apaixonada por fantasias repletas de aventura, emoção e personagens fortes e cativantes, não tinha como gostar menos desse livro fantástico com elementos surpreendentes. Foi o primeiro livro da Sarah J. Mass que li, e todas as minhas expectativas, que estavam bem altas, foram atendidas. O livro é muito bem construído, cada cena está ali por um motivo, para mostrar um detalhe importante nos futuros acontecimentos e reviravoltas. Fui surpreendida com uma história instigante, bem desenvolvida, cheia de tramas políticas, laços familiares e personagens complexos, mas que vai ainda além do romance e fala de superação, aceitação e sacrifício. Posso dizer que Sarah consagrou-se uma de minhas autoras favoritas. 


Essa resenha foi uma das mais difíceis pra mim escrever, pois tive que tomar muito cuidado para não dar spoilers e porque amei o livro. 
Espero que tenham gostado, e me digam se já leram ou pretendem..
Um beijo e um queijo ;*



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