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05/09/2016

Depende do que você considera "amar"




"Uma vez me perguntaram se eu já amei verdadeiramente. Eu não soube responder de imediato, entretanto me lembrei de três situações que ocorreram ao longo de poucos anos.

Ele era uma gracinha, muito educado, tinha uma voz que faria até um ser irracional se arrepiar. Ele mandava snapchats engraçados e a cada risada dele, eu sorria sem mais nem menos.
Nunca nos vimos além do snap. Nos conhecemos por internet e nossa amizade ficou por lá mesmo. Mas eu estava criando coragem para contar a ele sobre o efeito do seu sorriso em mim. Não tive a chance ou deixei passar. Antes que pudéssemos de fato nos conhecer, ele se formou e foi morar em NY com a irmã mais velha. Jamais saberá, jamais verei aquele sorriso pessoalmente. Eu o deixei ir, sem contar de nada do que eu sentia. Achei que seria melhor para os dois. Também sabia que ele estava fazendo a coisa certa, que a vida seria melhor lá. Eu o deixei ir.

Todos perguntavam se éramos irmãs de sangue ou de coração. Respondiamos sempre o mesmo: de alma. Tínhamos uma sintonia incomum, incapaz de acabar, incapaz de desaparecer. Com toda certeza eu mataria e morreria por ela. Ela era não só minha melhor amiga, mas meu porto seguro, meu ombro, minha base. Então eu a apresentei para um amigo um bocado interessante, engraçado, eles eram e são mesmo lindos, juntos. Mas nossa cidade era pequena para o amor deles. Então ela se foi, foi sem pensar duas vezes, foi corajosa o suficiente para largar tudo e viver de amor. E doeu. Ainda dói. E eu a deixei ir, talvez por saber que ela seria infeliz aqui, talvez por saber que nada que eu dissesse a faria mudar de ideia. Eu a deixei ir.

Ele chegou embaraçado à confusão. Apesar de já ser um conhecido, se tornou mais do que isso em pouco tempo. Foi inesperado, inexplicável, talvez tudo o que eu precisasse ou tudo que eu deveria ter evitado. Parecia ser minha salvação. O abraço que me aquecida era o mesmo que fazia meu coração estabilizar. Ele tinha um cheiro que afastada todos os problemas. Era dono da voz que me tranquilizava quando tudo parecia desmoronar. Mas ele não estava satisfeito, não parecia estar disposto a largar tudo por mim. E realmente não largou. Eu não me diminui para caber em um lugar que não me pertencia. Eu o deixei ir. Talvez por estar acostumada com perdas, não questionei nem tentei mudar o rumo da coisa. Eu o deixei ir.

Depois de alguns segundos com flashs e lembranças cobrindo meus olhos mansos, conclui que amor é muito mais do que querer a felicidade do outro por perto. Porque talvez amar seja isso, querer sempre a felicidade da outra pessoa, mesmo que você não esteja incluso nela.
Respirei fundo e respondi: depende do que você considera 'amar'."



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